Recomeçar
Componho tipos há nove anos e quase não desenhei nenhum. Este ano voltei ao básico: lápis, papel vegetal e um alfabeto minúsculo por vez.
A primeira lição foi humildade. As correções ópticas que fazem uma boa fonte parecer uniforme são invisíveis até você tentar desenhar uma letra sem elas. Um "o" matematicamente da mesma altura que um "x" parece baixo demais. Toda curva precisa ultrapassar um pouco.
O que mudou no meu trabalho de interface
Desenhar letras me deixou mais lento e mais cuidadoso com os tipos que componho. Agora percebo ritmo, não só tamanho. Percebo quando o comprimento da linha briga com a fonte. Deixei de recorrer ao espaçamento entre letras como remédio para uma fonte que era simplesmente a escolha errada.
A meta continua modesta: desenhar as letras, não só compô-las. Mas até uma meta modesta muda o jeito de olhar para cada página.